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Mobilização Indígena

A’e rupi peho teko nànàn ywy nànàn nehe kury ty wà. Pemuigo kar teko teko heremimu’e romo pe wà nehe.

(Mateus 28.19)

Pemuigo Kar - Fazendo discípulos em todas as tribos

Cantinho
Crianças Indígenas
EBF Indígena 04

Fazer discípulos não é tarefa fácil, entretanto, não se trata de escolha, mas, de um ato de obediência ao próprio Filho de Deus, que a se si mesmo se deu como sacrifício vicário em nosso lugar.

 

Neste sentido, as nações indígenas se constituem um desafio à parte. Embora no Brasil do contingente de aproximadamente 1 milhão de indígenas, 210 mil deles já se declarem evangélicos, é notório que ainda há muito a fazer, pois 103 grupos ainda não possuem nenhum tipo de presença evangélica, a maioria dos trabalhos iniciados por missionários “brancos” não consegue formar líderes autóctones que possam dar segmento ao trabalho, e dezenas de línguas ainda não possuem a Bíblia ou mesmo porções bíblicas traduzidas.

 

O projeto PEMUIGO KAR – fazendo discípulos em todas as tribos, é um projeto de intervenção de caráter evangelístico-educacional, cujo objetivo central é formar líderes, professores, evangelistas e discipuladores de pré-adolescentes e crianças, dentre os próprios indígenas que já são crentes em Cristo, de forma que uma geração de novos cristãos possa ser formada para anunciar o evangelho entre seu próprio povo.

 

O projeto prevê um minucioso processo de pesquisa, adaptação, produção e criação de materiais didáticos e paradidáticos, capacitação de líderes, professores, evangelistas e discipuladores, bem como a evangelização, o discipulado e a mentoria de meninos e meninas indígenas, que resulte numa igreja forte e capaz de gerar novos discípulos a partir de si mesma mediante a operação do Espírito Santo de Deus.

O Maranhão – nosso campo missionário

O Maranhão possui, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, cerca de 39.890 indígenas distribuidos entre sete (07) etnias, que são: Awaguajá, Guajajaras, Uruka’apor, Canela, Timbiras, Gavião e Crikati. A população indígena maranhense é de maioria etnica Guajajara. É uma população formada por uma maioria jovem (20.640 tem entre 0 e 22 anos de idade), residindo em reservas demarcadas e são assistidos institucionalmente por projetos governamentais supervisionados pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI.

 

Em relação ao nível integracional destes grupos étnicos, os Guajajaras são considerados integrados ou aculturados, os grupos Uruka’apor, Canela, Timbiras, Gavião e Crikatis são considerados semi-aculturados e o grupo Awaguajá se encontra na categoria isolado.

 

Em relação ao trabalho de evangelização e plantação de igrejas, os indígenas maranhaneses começaram a ser assitidos pela Igreja Assembleia de Deus na década de 1980, por iniciativa do pastor Ramalho apoiado pela Ceadema, a partir da reserva Cana Brava, no município de Barra do Corda. Posteriormente, em meados da década de 1990, o então presidente da Ceadema, pastor Esteván Ângelo de Sousa, iniciou um trabalho de visitação às áreas indígenas, culminando na implantação de igrejas nesta mesma reserva.

 

Paralelamente, algumas aldeias também foram assistidas, como as do Vale do Pindaré, pelo pastor Meton Soares, resultando em um despertamento da igreja maranhense para a situação espiritual dos indígenas e da urgente necessidade de um projeto de intervenção evangelística junto as tribos onde ainda não há presença evangélica e de fortalecimento daquelas onde já existem trabalhos em andamento.

 

Atualmente, a Ceadema, diretamente e através da Semadema, conta com um (01) missionário e um pastor, na Reserva Cana Brava, na região de Barra do Corda, entre os Guajajaras; um (01) missionário em Nova Olinda, entre o povo Ka’apor; um (01) missionário na Reserva do Carú, entre o povo Guajajara; uma (01) missionária na Reserva Pindaré, entre o povo Guajajara. Além disso, podemos mencionar a presença de duas (02) missionárias mantidas pela Secretaria de Missões da AD em São Luís – Semadesl, na Reserva Pindaré (Aldeia Tabocal), e de de uma (01) missionária (Aldeia Piçarra Preta), mantida pela Secretaria de Missões da AD Timon – SEMADET, também na Reserva do Pindaré, assim, a força missionária da AD maranhense entre os indígenas é de sete (07) missionários.

 

Embora seja notório o esforço de nossa convenção, ainda existe um longo caminho a ser percorrido em relação à evangelização dos indígenas maranhaneses, se levarmos em conta que, das dezesseis reservas (Alto Turiaçu, Arariboia, Awa, Bacurizinho, Cana Brava/Guajajara, Caru, Geralda Toco Preto, Governador, Krikati, Lagoa Comprida, Morro Branco, Rio Pindaré, Rodeador, Timbira-Krenyê, Urucu/Juruá, Vila Real), a AD maranhense tem presença apenas em quatro (04).

 

O contexto indígena maranhense, portanto, nos desafia a instaurar um novo momento, e neste caso, tendo como foco a infância e a pré-adolescência de forma direta e indireta, seja apoiando os missionários em campo com treinamentos e materiais, na formação de novos missionários, na evangelização, no discipulado e na mentoria de pré-adolescentes e crianças ou na sensibilização da igreja maranhense para a causa missionária indígena.

 

Os resultados deste projeto são de médio e longo prazo, entretanto, poderão ser mensurados através de relatórios e dos testemunhos do público atendido e envolvido diretamente em sua execução.

Cantinho
Cantinho
Ka'apor 02
Ka'apor
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Os objetivos do Projeto Pemuigo Kar

Crianças Indígenas
EBF Indígena 05

Fortalecer o trabalho missionário entre os indígenas maranhenses a partir da capacitação específica da força missionária existente para atendimento ao público infantojuvenil, e do desenvolvimento de materiais e estratégias de evangelização, discipulado e mentoria de indígenas compreendidos entre 0 e 14 anos de idade.

  • Sensibilizar a igreja maranhense através do estudo e da divulgação da situação dos campos missionários indígenas com, e sem a presença evangélica;

  • Desenvolver, adaptar e traduzir materiais específicos para as etnias cuja língua ainda possa ser uma entrave ou um ponto de acesso à evangelização (como no caso dos Ka’apor);

  • Capacitar a força missionária já existente para o atendimento específico do público infantojuvenil;

  • Evangelizar e Mentorear pré-adolescentes e crianças de modo a formar (a longo prazo) uma liderança autóctone que possa dar segmento à evangelização, ao plantio e ao desenvolvimento de igrejas indígenas.

Criança Indígena

Por que o Projeto Pemuigo Kar é imprescindível?

O campo missionário indígena, embora seja dentro de nosso estado, é um campo transcultural. Este fato é por si só, um diferenciador quando do planejamento de uma atividade missionária, especialmente quando este se relaciona com a implantação de uma igreja. Trata-se, portanto, de língua e de cultura diferente, que demanda da parte do missionário um tempo maior para resultados aparentemente singelos se comparados com outros projetos.

 

Se de um lado o trabalho com indígenas é transcultural, carecendo da assimilação da cultura e da aprendizagem da língua por parte do missionário, por outro, não conta com o status, tão pouco com o investimento financeiro ou tratamento prioritário recebido pelos trabalhos missionários transculturais em outros países. Assim, mesmo sendo transcultural, dada a facilidade de acesso e curta distância, acaba por não receber a atenção nos moldes daqueles realizados para “além fronteira”, o que certamente tem levado esta categoria de trabalho missionário para certo nível de acomodação, resultando em pouco ingresso de novos missionários e, consequentemente na dificuldade de abrir novos trabalhos ou projetos. Faz-se necessário, portanto, rever a situação espiritual dos indígenas maranhenses, e, deste modo, rever também a nossa presença e o nosso impacto junto a este povo.

 

O desafio, porém, não se dá apenas no campo vocacional resultando na falta de novos missionários para o trabalho transcultural indígena, mas também no fato do governo brasileiro estar adotando, com cada vez mais força, políticas públicas e medidas administrativas impeditivas da presença missionária nas áreas indígenas, sob o pressuposto de que a presença evangélica é nociva a esses povos. A FUNAI, tem se esforçado para provar que a igreja evangélica é uma agencia catequizadora, sem respeito à cultura, à língua e mesmo aos índios, uma vez que a maioria das missões tem caráter apenas religioso, sem qualquer benefício social a comunidade indígena.

 

Embora tais medidas sejam contrárias aos princípios da autonomia da vontade, e da autodeterminação dos povos indígenas, e que denotem que o governo brasileiro ainda adota uma postura paternalista e assistencialista, o cenário indica o endurecimento da posição estatal em relação à presença do evangelho trazida e mantida através de missionários não-indígenas. Deste modo, constitui-se urgente a preparação de missionários e líderes autóctones, que, uma vez convertidos possam ser discipulados, mentoreados, empoderados e encorajados a assumir a evangelização de seu próprio povo.

 

Neste sentido, o PROJETO PEMUIGO KAR – Fazendo Discípulos em Todas as Tribos, uma vez posto em marcha, tanto contribuirá com a construção do perfil religioso indígena maranhense, quanto com a sensibilização e despertamento vocacional de novos missionários e igrejas locais que os apõe, bem como no fortalecimento dos trabalhos já existentes.

Como desenvolvemos o Projeto Pemuigo Kar?

Mobilização Indígena

Para trabalhar o objetivo “sensibilizar” a igreja maranhense, o projeto adotará como metodologia:

  1. Elaboração de questionários e demais recursos para levantamento de dados;

  2. Contato com missionários em campos indígenas;

  3. Visitas às reservas indígenas para levantamento de dados “in loco”;

  4. Analise dos dados;

  5. Divulgação dos dados em congressos, conferências e reuniões missionárias;

  6. Elaboração de folders, e materiais para jornais e informativos institucionais.

Mobilização Indígena
Cantinho
Mobilização Indígena
Mobilização Indígena

Para atender ao objetivo “Desenvolver, adaptar e traduzir materiais específicos”, seguiremos os seguintes passos:

  1. Iniciar pela etnia Guajajara, por se tratar de um idioma já dominado e com a maior presença de missionários;

  2. Traduzir recursos relacionados ao treinamento de força missionária, como cursos e oficinas de capacitação de cunho prático;

  3. Traduzir recursos para a realização de atividades de evangelização, como a EBF e a Campanha evagelísca;

  4. Traduzir músicas e demais recusos que possam atingir os povos semi-aculturados e isolados.

Discipulado 03
Discipulado 02
Triped Indígena
TRIPED Indígena 06

Quanto ao objetivo “Capacitar a força missionária”, serão adotadas as seguintes estratégias:

  1. Visita permanencia no campo missionário, com o apoio do missionário local para atividade de leavantamento de dados;

  2. Identificação das necessidades dos missionários em campo;

  3. Elaboração de um programa  específico para a aldeia;

  4. Treinamento, durante o andamento do projeto, de indígenas que se identifiquem com o ministério do ensino, para a ministração da palavra, de maneira que o acesso a etnias isoladas seja facilitado;

  5.  Formação de uma equipe de indígenas para facilitar a entrada em reservas mais fechadas, despertando o sentimento missionário entre os próprios indígenas.

TRIPED Indígena
TRIPED Indígena 04
EBF Indígena
Revista de Evangelização Indígena

Em relação ao objetivo “Evangelizar e Mentorear pré-adolescentes e crianças”, adotaremos:

 

  1. Formação de um repertório étnico-linguístico de músicas evangélicas para uso em grupos de louvor;

  2. Formação e fortalecimento de grupos de louvor;

  3. Formação e incetivação dos grupos de percussão já existentes;

  4. Realização de concursos e festivais de talentos infanto-juvenis indígenas, com incentivos como a publicação de livros e CD´s;

  5. Realização de atividades missionárias entre aldeias da mesma etnia e entre etnias diferentes.

TRIPED Indígena 05
EBF 02
Mobilização Indígena 03

Todas as metas e atividades aqui propostas partem do princípio da cooperação. Nenhuma atividades será realizada, ou mesmo uma visita será feita sem o devido consentimento do missionário local ou das lideranças locais, uma vez que o propósito comum é o fortalecimento e a manutenção da obra missionária entre os indígenas, até que, municiados de todas as ferramentas, possam viver sua vocação diante de Deus no meio seu próprio povo.

 

Como se trata de um projeto experimental, muitas outras atividades poderão vir a fazer parte do projeto, bem como a supressão de algumas delas poderá acontecer, dada a dinâmica que o trabalho transcultural exige.